O trabalho da banda Namoradeira é resultado de treze anos de pesquisa sobre as manifestações populares brasileiras, principalmente as relacionadas à cultura caipira do Sudeste do Brasil. Quando a banda foi formada, em 2002, as experiências individuais dos integrantes (nascidos e criados no interior do estado de São Paulo) já apontavam para uma familiarização com este universo, tanto no que se refere à oralidade, às tradições religiosas e festivas, quanto aos elementos que compõe o próprio cenário desta cultura caipira.
Sendo assim, a relação dos integrantes do grupo com as tradições se dá, antes de tudo, na transmissão de pai para filho, de pessoa para pessoa, se desenvolvendo a partir do convívio social. A busca pelo aprofundamento se deu por pesquisas em literaturas, audições e vivências com mestres e compositores influentes, além da participação em eventos tradicionais, intercâmbios culturais no interior e litoral do estado de São Paulo; trocas de experiências que são transmitidas e incorporadas na construção do repertório e identidade da Banda Namoradeira.
Dentre as influências que a Namoradeira traz em seu trabalho estão a cultura popular e a musicalidade de São Luiz do Paraitinga, São Paulo, onde o grupo já desenvolveu muitas atividades e encontros, participando todos os anos desde 2003 das festividades tradicionais da cidade (entre elas, as mais conhecidas Festa do Divino, Festa do Saci e Carnaval de Rua com blocos de Marchinhas) e dos festivais musicais (Festival de Marchinhas de Carnaval e Junino). Grupos de Catira, Folias de Reis, Congada e Moçambique da região de Campinas, Vale do Paraíba e do estado de Minas Gerais também exercem grande influência na identidade da banda.
No ano de 2010 o grupo foi contemplado com o edital nº 18 do Proac de gravação de disco inédito, e lançou no final de julho daquele ano o disco “Festa na Rua”, contendo treze músicas, sendo doze de autoria própria (uma delas contendo uma incidental do premiado compositor Luizense Galvão Frade) e uma de domínio público, recolhida durante as pesquisas e adaptada pelo grupo.
No início de 2015, a Banda Namoradeira passou por uma reformulação que abrangeu desde a formação instrumental do grupo até a concepção do processo criativo e de composição, iniciando então os trabalhos para a gravação de seu segundo álbum. Nessa nova fase, a banda Namoradeira explora a criação de um repertório introspectivo.
Com a reflexão e aproximação das influências tradicionais da banda às vivências pessoais de pesquisas, aprimoramento técnico e outras influências musicais de cada integrante, o grupo constrói uma sonoridade impar, agregando ao ambiente festeiro, religioso, profano, comemorativo e tradicional caipira, os demais valores também agregados em um cenário urbano, seus anseios, suas ofertas, seus modos e sua formação.